Cristiano Meira Magalhães

Um ponto de vista à vista de um ponto

Microempresa adota Linux como S.O. padrão

A utilização do sistema operacional Linux se faz frequente em diversos setores da computação, onde são envolvidas soluções de barateamento de custos em aquisições de equipamentos e serviços. Atualmente, entre as micro e pequenas empresas no Brasil, ainda é pouco conhecido os benefícios que podem ser encontrados ao se permitirem ser implatado esse sistema operacional em seus computadores. Mas a mudança do paradigma de paradígma está se tornando real, à medida que o Linux se torna cada vez mais em evidência no cenário de tecnologia, fazendo frente aos seus concorrentes, como o Windows, software da gigante internacional Microsoft.

Nesse texto, tentarei descrever como implantei o Linux nos computadores da minha empresa e analisarei os pós e contras que poderei ter encontrado ao longo dessa jornada digital.

O Problema

Tenho uma micro-empresa, varejista, que atua no setor de revenda de produtos hidráulicos destinados a funções de irrigação e uso predial. Também oferecemos serviços de prenssagem de mangueiras para altas pressões.

Nos primórdios da abertura da nossa loja, trabalhávamos apenas com dois computadores (o PC da minha sala e o PC da secretária) ligados em uma rede ponto-a-ponto, cada um executando o sistema operacinal Windows. Como a grande maioria das empresas do nosso país, usávamos uma cópia do windows pirata, que intalamos em cada estação.

Usávamos cópias piratas do Windows devido a falta de informação mesmo. Ao comprarmos computadores em estabelecimentos locais, os lojistas já instalam cópias do Windows pirata e nós, consumidores finais, por falta de maiores instruções, permanecíamos com nossos computadores ilegais, muitas vezes sem ao menos saber desse problema.
Mesmo sabendo que em nossa cidade, a fiscalização de empresas para constar o uso ou não de softwares piratas é precário, obviamente que não tínhamos nenhuma intenção de promover uma vantagem dessa situação usando cópias não legalizadas desses softwares.

Usávamos também um software propietário “for Windows”, como ferramenta de administração da empresa. Com ele controlávamos o estoque dos nossos produtos, cadastro de clientes, fornecedores, contas a pagar e a receber, e demais funções que espera-se de um software para automação comercial. Porém tal software era uma verdadeira dor de cabeça. A empresa responsável por sua programação tinha cede em Santa Catarina e o atendimento era todo por telefone, muitas vezes não solucionando alguns problemas que encontrávamos em nosso dia-a-dia.

Com o crescimento da nossa empresa e um melhor conhecimento das questões que aflingem o software pirata, sentimos uma necessidade de realizar uma mudança em nossa estrutura comutacional. Dentre essas necessidades, podemos listar:

  1. Instalação de uma estação no balcão da empresa, para atender ao consumidor com maior agilidade em serviços de consulta de produtos e PDV. Até então usávamos uma tabela impressa semanalmente contendo o preço dos produtos em estoque;
  2. Instalação de uma rede receptível a atender mais estações do que a nossa simplória rede ponto-a-ponto;
  3. Legalizar nossa empresa no requisito de não ser mais uma empresa usuária de software pirata, estando assim, totalmente em acordo com as normas e leis que abordam tal assunto;
  4. Migrar o nosso sitema de automação comercial para um software que disponibilizasse de um suporte mais eficiente do que o atual;
  5. Tínhamos um baixo orçamento, então era imperativo obter essas novas instalações (instalação da nova rede, compra de nova estação, suporte, etc.) com o menor custo possível.

Soluções

Analisando os ítens listados acima, logo percebi que o fator limitante em nossa empresa seria o fator descrito no último tópico: dinheiro.

Alguém me disse certa vez que “dinheiro não é problema, mas sim, a solução”. Comprovadamente estávamos vivendo esse ditado em nossa pele por possuir um baixo orçamento. Tínhamos, em nossa reforma, de privilegiar o baixo custo na aquisição de novos equipamentos e serviços.

Então, como o tema era economia, ao invés de comprar equipamentos novos, optamos por adquirir equipamentos usados, cujos preços são bem mais atrativos. Porém, equipamentos usados possuem a desvantagem de serem portadores de uma tecnologia menos morderna do que equipamentos novos, que são considerados de última geração.

Sabíamos, também, que o sistema operacional mais vendido no mercado (Microsoft Windows) exigia, em cada nova versão lançada pelo fabricante, máquinas melhores equipadas e cada vez mais rápidas e com grande capacidade de memória e processamento.

Então, analisando em conjunto os preços de equipamentos novos e licensas de uso de softwares como Windows 98 ou o Microsoft Office, sofremos de uma total desanimação em relação a comprar softwares propietários e equipamentos novos.

Analisando a relação custo/benefício de alguns parâmetros (mensalidade, custo de aquisição, velocidade do suporte técnico, etc.), optamos por usar um software produzido por um programador local para realizar a automação comercial da empresa. O software é escrito em CLIPPER e funciona sob ambiente DOS.

Então, devido a todos esses fatos, esbarramos nas seguintes necessidades para a escolha da compra e instalação da nova estação que funcionaria como consultas de balcão e PDV:

  1. Teria que ser um computador barato;
  2. Teria que possuir um sistema operacional que:
    1. Funcionasse em uma máquina menos potente;
    2. Fosse capaz de executar um programa CLIPPER “para DOS”;
    3. Oferecesse acesso ao uso de impressoras fiscais e matriciais;
    4. Possuisse um preço de aquisição relativamente barato;
      Nesse caso, optamos por instalar software livre em nossa empresa, no que fosse possível assim o fazer. E o sistema operacional escolhido foi o Linux por, dentre os S.O.’s livres, ter a melhor aceitação e documentação do mercado.

Então, seguindo esses pré-requisitos e a escolha do Linux como sistema operacional padrão, compramos 1PC usado, tendo uma economia de 50%. A configuração desse PC foi um Pentium III 800Mhz 256MB RAM HD 10GB. Instalamos o Linux Ubuntu nessa máquina e fizemos uma rede onde ligamos os então 3 PCs (2 PCs que já tinhamos, mais o novo PC) em um hub/switch.

Em seguida, com a mesma distribuição, instalei o Linux também no PC da minha sala, que oferece o serviço de acesso a internet a rede.

Porém, no PC da secretária, optei por deixar uma versão do Microsoft Windows instalada, para garantir maior compatibiliade com os programas do nosso banco e da Secretaria da Fazenda do nosso Estado da Bahia, como o Validador Sintegra e o Compra Legal. Então, compramos um registro para essa cópia do Windows.

Como o nosso sistema de automação comercial agora seria “para DOS”, ou seja, em modo texto, pude executá-lo no computador Linux do caixa usando o emulador “dosemu”, que o faz funcionar perfeitamente, tendo acesso às impressoras fiscais e matriciais, como eram exigidos pelas restrições do problema.

Em um período posterior, procurando oferecer uma vida útil a um Pentium 100 32MB RAM HD 4GB, expandi a memória dele para 64MB RAM (exigência mínima para se instalar o Linux Ubuntu através da rede) e instalamos também o Linux. Com o auxílio do dosemu, essa estação hoje está no balcão da nossa loja oferecendo acesso à lista de preços do nosso programa de automação.

Como software para escritório, o OpenOffice foi instalado no PC da minha sala e no PC da secretária em versões para linux e windows respectivamente, não tendo eu gasto algum com a compra de softwares como o Microsoft Office.

Ao fim, ficou assim a minha rede: 3 PCs Linux e 1 PC Windows (Win 98). Pronto, tendo feito tais ajustes e modificações, agora eu estava com uma rede de 4 computadores, operando através de software livre, sendo um deles, mesmo que não seja 100% livre, porém sendo 100% legalizado.

Conclusão

A adoção de software livre em minha empresa apresentou uma redução de custos em mais de 50% na instalação da nova rede e dos novos sistemas nas máquinas novas e antigas.

Com a ajuda de tutoriais, uma extensa documentação, e comunidades criadas por usuários de softwares livres, é possível obter ajuda de outras pessoas através de contatos por e-mail ou em tempo real por mensegers, baixando o custo do suporte praticamente para um valor muito próximo a zero.

Como se não bastasse o baixo custo de aquisição e manutenção, o software livre em minha empresa apresentou uma maior confiabilidade no requisito de segurança. Podendo ler o software diretamente do seu código fonte, o usuário pode ter certeza do que realmente está executando.

A adoção do Linux como sistema operacional padrão, especialmente falando, reduziu minhas preocupações no que diz respeito a vírus e cavalos de tróia, problemas graves enfrentados por diversas empresas hoje em dia. Com a tecnologia de controle de usuários, e instalação de programas diretamente dos repositórios oficiais, torna-se praticamente impossível dos sistemas adquirirem códigos maliciosos que venham a danificar tais máquinas.

As empresas hoje estão olhando cada vez mais para soluções livres, e com todo o juízo.

Entre essas e inúmeras outras vantagens, o software livre realmente trouxe inúmeros outros benefícios a minha empresa que nesse e em outros textos eu poderia ter dificuldade para listá-los.

Acredito que, através de uma mudança gradual de perspectiva, empresários e usuários de sistemas como um todo, poderão testificar que o uso de sistemas livres em seus lares ou negócios é muito maior que uma simples idéia. O uso dessas tecnologias oferecem hoje vantagens insubistituíveis em questões como segurança e baixos custos.

É necessário haver uma reversão no paradigma de uso de softwares.

Hoje é uma realidade: software livre é 100% viável economicamente e fazendo valer o ditado que inicou esse texto, poderíamos também dizer sem maiores temores: “software livre não é problema, mas sim, a solução”.

Setembro 4, 2006 - Publicado por Cristiano Meira Magalhães | Blogroll, Softwares, Soluções | | Sem comentários ainda

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