Cristiano Meira Magalhães

Um ponto de vista à vista de um ponto

Porque dizem ignorar-te

Recentemente um amigo mandou-me uma mensagem, através do sítio de relacionamentos Orkut. Dizia ele, então:

Deus existe? Será que existe mesmo? Pois hoje deixo de ser cristão a passo a ser ateu, se ele existe que Ele mesmo me prove.

Lendo a pergunta acima, fiquei motivado a respondê-lo. No intuito de assim fazer, fiquei eu a questionar como poderia ajudar essa pessoa? Como respondê-la?

Respondi a ele que a prova da sua existência seria tão difícil de alcançar quanto a prova da sua inexistência.

Aprendi ao longo da minha jornada espiritual que Deus não se prova, mas é necessário vivê-lo, experimentá-lo. Mas isso é uma questão de uma busca pessoal. Ninguém pode experimentar Deus, ou ninguém pode vivê-lo por alguém. É necessário que a pessoa busque em seu íntimo, e em seu “Eu” interior, tenha um contato real com o Senhor.

Não convencido que pude ser bem esclarecedor com minhas poucas palavras, lembrei-me de um texto de Huberto Rohden, em seu livro “Deus” , onde ele aborda o assunto do “ser ateu”.

Transcrevo então, logo abaixo, o texto em sua íntegra, compartilhando-o, assim, com esse meu amigo e demais leitores.

(…) Tenho encontrado ateístas aristocráticos, – e antiteístas demagógicos. Uns, serenos e calmos, como linda tarde de inverno – outros, inquietos e agressivos, como tempestade de verão.

E nenhum deles era realmente ateu nem antiteu…

Assim como o ódio não é, muitas vezes, senão a manifestação dum grande amor incompreendido ou atraiçoado – assim é também o chamado ateísmo desses homens um pofundo e descompreendido teísmo, uma espécie de “escrita especular”, que, invertida, deve ser lida no espelho, reinvertida, a fim de dar sentido…

Esses homens dizem não te conhecer – porque se desconhecem a si mesmos, e através do seu falso Eu enxergam falso o seu Deus… Pois, afinal de contas ninguém vê as coisas como elas são em si, mas assim como ele é ou julga ser…

Há muitos ateus à flor dos lábios – não há ateu no fundo da alma…

Se um chamado ateu estivesse intimamente convencido da não-existência de Deus, deixaria de guerrear esse Deus ou esse não-deus – porque ninguém hostiliza o que não existe. Só se agride o que é agressível por ser real. O espalhafatoso ateísmo do ateu é a prova do seu teísmo. Só um teísta pode fazer praça do ateísmo. Um verdadeiro ateu, se existisse, faria do seu ateísmo silêncio absoluto e sobranceiro desdém, sem perder uma palavra na agressão de um inimigo inexistente.

Se ateus houvesse, seria o diabo o rei dos ateus – quando ele é, de fato, um decidido teísta. Tão grande teísta é ele que procura revoltar todos os seres contra a infinita Realidade, Deus. Ah! se Satã pudesse ser ateu!… Se pudesse convercer-se da não existência de Deus!… Seria o fim do seu inferno e o início do seu paraíso… O ocaso do seu tormento e a alvorada da sua beatitude… Por ora, continua a grande noite… Mas Satã é por demais inteligente e realista para ser ateu, para negar a mais inelegável das realidades… Ele é o teísta número um dentre todos os inimigos de Deus. O teísmo é o fundamento de seu feroz satanismo. Estar convencido da suprema Realidade, e não querer adorar esssa Realidade, atingi-la só com a inteligência glacial e não com os ardores do coração – que horroroso tormento deve ser!… que agonia metafísica esse eterno conflito entre o ‘entender’ e o ‘querer’… Ser teísta da inteligência e ateísta do coração – eis o inferno dos infernos!… Desejar a inexistência da suprema Realidade, e estar convencido da sua eterna e indefectível existência – como tolerar esse dualismo atroz dentro do próprio Eu?…

Um diabo ateísta e ateu deixaria de ser diabo, e deixaria de sofrer no seu inferno…

Homem que fosse realmente ateu devia ser mais satânico que Satã, devia ser um supersatã, um ultradiabo – suposto que tivesse suficiente inteligência para esse ateísmo satânico e esse satanismo ateu…

Mas… por que há tantos homens que se dizem ateus?… Serão mentirosos todos eles?… Queretão todos eles enganar a humanidade com o seu pretenso ateísmo?

Não, eles não são, por via de regra, enganadores – porém enganados, auto-iludidos. Iludidos pelas penumbras do próprio ego, pela eterna esfinge do seu subconsciente.

O homem, esse “desconhecido”…

E essa ilusão radicada no próprio ego encontra, não raro, abundante alimento e adubo no ambiente social e religioso em que vivemos.

O deus que esses ateus negam é um pseudo-deus, um não-deus, um fantasma criado pelo ego e nutrido pela sugestão do ambiente. Engendram um deus à sua imagem e semelhança, e guerreiam esse aborto da sua filosofia e investem contra esse caricatura da divindade com o mesmo furor grotesco com que certo cavaleiro medieval arremetia contra um batalhão noturno de inimigos – que não eram senão moinhos-de-vento…

O deus do ateu é sempre um “deus moinho-de-vento”, um “deus-caricatura”, um “deus-fantasma”, um pseudo-deus moldado pela inteligência e pelo coração do seu autor…

O Deus real e verdadeiro não pode ser objeto de negação e de ódio, da parte do homem, uma vez que esse Deus é a afirmação da Suprema Verdade e do Bem absoluto – objetos necessariamente afirmáveis pela inteligência e pela vontade. Não é possível que a inteligência, no seu estado normal, negue a Verdade conhecia como tal, nem é possível que a vontade não adulterada odeie o Bem, que, como tal, se lhe apresente.

A inteligência só pode rejeitar a não verdade, assim como a vontade só pode recusar o não-bem.

O que o chamado ateu nega é o deus da sua filosofia e do seu ambiente religioso. Esse deus cruel, mesquinho, vingativo, fraco, antropomorfo, choroso, amargurado, sem sorte nas suas obras, derrotado por seu inimigo, como inúmeras vezes aparece nas páginas da nossa literatura religiosa – esse deus não pode, naturalmente, ser afirmado nem amado por um sincero cultor da divindade, porque esse deus nem existe no mundo real, senão apenas na imaginação doentia dos seus infelizes autores… E bom é que não exista esse pseudo-deus… Se existisse, devia todo homem sincero ser ateu…

(Huberto Rohden – Deus – Editora Alvorada – 5ª edição)

Setembro 17, 2006 Publicado por Cristiano Meira Magalhães | Blogroll, Religião | | 1 Comentário

Lançada Bíblia digital

Lançado novo software para estudo e leitura da Bíblia Sagrada.

Jaspe é um programa de computador, totalmente OPEN SOURCE e sob a licença GNU GENERAL PUBLIC LICENSE, com o objetivo de tornar mais fácil a leitura e o estudo da Bíblia através do uso do computador.

O programa tem suporte a mais de uma língua (inicialmente contém suporte ao Português-Br, Inglês-US e Espanhol-Es).

É fácil de usar e as buscas são rápidas. O sistema de procura de palavras-chaves e versículos usufrui o já consagrado banco de dados HSQLDB.

Jaspe é capaz de ler dados em diferentes versões da Bíblia, o que permite um estudo aprofundado das várias traduções. Inicialmente a versão 1.0 contém 5 versões disponíveis para download

Versão em Português (João Ferreira de Almeida)
Versão em Inglês (King James)
Versão em Espanhol
Versão em Francês
Versão em Italiano
Versão em Alemão
Versão em Espanhol

É possível alternar a aparência da aplicação em tempo de execução (Look & Feel). Você pode visualizar suas janelas tanto em modo Windows como em modo Metal (tema default do Java), e para este último, Jaspe aceita ainda diferentes temas cunfiguráveis.

Jaspe é executado sob um ambiente criado pela Java Virtual Machine (Máquina Virtual Java), da SUN Microsystems. O seu código foi inteiramente produzido em Java (100% Java). Por isso, tornando-o capaz de ser executado em qualquer sistema operacional, desde que este, logicamente, contenha a Máquina Virtual Java previamente instalada (leia o documento “Como instalar” para detalhes sobre como instalar a Máquina Virtual).

O programa Jaspe foi inteiramente desenvolvido por Cristiano (autor desse blog) e está disponível para download em http://jaspe.sourceforge.net .

Agosto 14, 2006 Publicado por Cristiano Meira Magalhães | Blogroll, Programação, Religião | | 2 Comentários

O “Eu acho”, a Mídia e o Dízimo

No mundo em que vivemos, somos envolvidos diariamente por diversas diferenças de opiniões, crenças e credos.

Todos nós temos o direito de termos diferente opiniões sobre qualquer assunto. Pelo menos esse é o princípio do livre arbítrio.

No entanto, sobre o qual não posso concordar é a abordagem de assuntos que remetem a essas diferenças, por parte da mídia e de forma parcial, partindo do princípio do “eu acho”.

A mídia, seja ela em seus diversos formatos (como TV, rádio, jornais, revistas, internet, dentre tantos mais), deve ser imparcial. Na posição que ocupa como o “quarto poder”, como criadora absoluta de opiniões, seus profissionais devem ter o bom senso e a ética de se absterem-se totalmente do uso pessoal do “eu acho” e apresentar algo menos tendencioso e mais próximo do “a indícios que…”.

Quando a mídia não consegue atingir esse objetivo de imparcialidade, ela passa a ser não mais um veículo criadora de opiniões, mas sim um veículo controlador de massas, promovendo, assim, uma “ditadura mental e psicológica”, onde ela se diz a única capaz de ter a razão e a verdade.

Tendo conhecimento a história, o uso do “eu acho” convergiu a humanidade, diversas vezes, a um estado de cegueira social cujos parâmetros são indescritíveis.

Foi o “eu acho que a raça ariana é perfeita” que levou Hitler a levantar um povo a realizar um dos maiores genocídios da humanidade, o assassinato em massa de raças não germânicas, estando os Judeus entre os maiores a sofrer a consequência dessa posse da “verdade”.

Foi o “eu acho que os não crentes são purificados no fogo” que fez com que a Igreja Católica manifestasse, na “Santa Inquisição” uma das maiores bestialidades que o homem já pode fazer, levando outros seres humanos à morte em fogueiras.

Aos profissionais da mídia, todos devem ter consciência que suas palavras, sejam elas ditas ou escritas, influenciam massas e podem com essas, caso não sejam imparciais, gerar ou aumentar a intolerância entre nossas diferenças já existentes.

Não faz muito tempo, ouvindo um dos programas de rádio mais populares da minha cidade, tive a infelicidade de ouvir do locultor, que por sinal sou um admirador, uma resposta a um e-mail de uma de suas ouvintes, inconformada por não concordar como este abordou um assunto de caráter religioso em um programa anterior.

Tal locultor, movido talvez pela moda ou tendência cancerígena do “eu acho”, que nos aflige nesses tempos, dissertou toda a sua opinião, de julgo pessoal, sem ao menos não demonstrar que por de trás de suas palavras havia algo de mais concreto e imparcial, como uma pesquisa história sobre o tema abordado.

A ouvinte em questão, manifestou sua não concordância de como o locultor abordou o assunto da devolução de ofertas dizimísta para igrejas cristãs, praticadas por seus fiéis.

Segundo o locultor, usando com destaque as palavras “eu acho”, este defendeu que o pagamento de dízimos às Igrejas devem ser feito dando prioridade às necessidades financeiras do membro fiel e não da Igreja em si. O mesmo defendeu, por exemplo, que o membro da Igreja deveria pagar suas contas e por fim, com a quantia que sobrasse em seu orçamento, doar para a sua Igreja.

Se na mídia o uso desse termo já é uma denuncia clara de uma falta de pesquisa sobre o assunto em questão, quando entramos para debates religiosos é uma expressão totalmente sem valor e sentido.

Se o profissional bem o soubesse o dízimo, que é uma das transações financeiras mais antigas feita pela humanidade, é uma oferta voluntária e de fé.

É encontrada a sua origem na Bíblia e dízimo significa “décima parte de algo”, e o termo cristão corretamente empregado é que ele deve ser “devolvido” e não “pago”. O termo “devolvido” é correto porque existe o entendimento que todas as riquezas desse mundo a Deus pertence e o cristão é visto apenas como um administrador dos bens no qual Deus a ele confiou.

O ato de devolver o dízimo é voluntário, visto que somente é aceito por Deus, caso o coração do homem esteja disposto a isso. Diferente de uma mensalidade cobrada por boletos bancários em nosso sistema financeiro, que pode ser cobrada juridicamente aos devedores, o ato dizimísta pode ser conferido apenas pelo próprio Deus, que pode ler os corações e mentes dos que o temem. Encontra-se na Bíblia, no livro de Atos o exemplo de Ananias de Safira, um casal que devolveu o dízimo, mas comtiam-se eu seu coração um sentimento de avareza. Contam as Sagradas Escrituras que ambos morreram imediatamente, fulminados pelo próprio Deus, ao entregarem o dízimo e as ofertas aos membros da Igreja local. Portanto, é ilícito ao homem julgar qualquer membro pela quantia devolvida.

Egoístas por natureza, a nós seres humanos a devolução do dízimo é antes de tudo um ato de fé e de negação do próprio “eu”. Pode ser visto como um símbolo criado pelo próprio Deus a fim de que possamos nos desgarrar dos nossos mais íntimos sentimentos gananciosos.

A devolução do dízimo é é induzida na vida do cristão não apenas em caráter financeiro, mas também é de ordenança ao cristão devolver dízimo a Deus sobre outros aspectos da sua vida, como por exemplo, o seu tempo. Mesmo quando nem sempre é assim que acontece. Imaginemos se cada cristão vivente separasse um décimo do tempo do seu dia, todos os dias, para cuidar das coisas de Deus, como ler as escrituras, fazer bem aos outros e pregar o amor entre os homens, com certeza seríamos outra sociedade.

Ao contrário do que muitos pensam, o dízimo não leva ninguém à falência financeira. Se as pessoas bem soubessem administrar e fazer seus planos com os 90% que lhe restarem do orçamento, não haveria problemas financeiros. Porém, sofremos ataques de consumo por todos os lados e ainda que tivéssemos oportunidade de administrar 200% do que hoje temos direito, ainda assim faríamos dívidas. O problema de quebras do nosso controle financeiro não está no quando recebemos para administrar, mas no quanto gastamos.

Ainda existem relatos de cristãos, convencidos que o dízimo é correto, que narram histórias e experiências descrevendo o sucesso que Deus fez em suas vidas quando estes estavam devolvendo corretamente os seus dízimos e ofertas.

Eu não posso ter nada contra o que pensa o locultor e não posso também julgar o que se passa dentro do seu coração. Mas apenas sei que é ético abster-se do “eu acho” e voltarmos mais a uma mídia mais imparcial e menos sensacionalista.

Julho 7, 2006 Publicado por Cristiano Meira Magalhães | Mídia, Religião | | 4 Comentários